quinta-feira, 14 de abril de 2016

A recompensa do Atlético e de Simeone



                    Na imagem, Simeone orientando o Atlético (Imagem: Marca)


Na quarta-feira, 13, o Vicente Calderón viveu mais uma noite inesquecível em sua rica história. O estádio que faz 50 anos em 2016, que já recebeu jogos de Copa do Mundo, viu o seu filho querido, o Atlético de Madrid, eliminar o Barcelona de Messi, Suárez, Neymar, Iniesta e companhia. 

Existem duas formas de se ver o jogo: a primeira é o resultado. 2 a 0. Dois gols de Griezmann e o time Colchonero na final com uma aula na parte tática, arbitragem ruim que prejudicou os dois lados, etc. A outra forma é entender porque o Atlético e seu técnico mereciam a classificação. 

Durante o jogo, o estádio não balançava, pulsava. O regente não estava em campo. Ele estava no banco de reservas. Diego Simeone, técnico do Atlético de Madrid sabe como poucos a importância de se doar por uma camisa, um time, uma torcida. Como jogador ele não foi brilhante, mas tinha uma dedicação, uma raça que poucos possuíam. Dessa forma ele foi recompensado pelo seu esforço, chegou à Seleção Argentina e até fez gol em final de Copa América.

Ele cobra muito de seus comandados. Chegou ao ponto de divulgar o peso de todos os jogadores para o grupo a cada vez que há um exame médico no clube. Com ele não há segredos dentro do grupo. Ou você aceita o seu estilo ou procura outro clube. No time Colchonero ele tem carta branca. Manda e desmanda. Mesmo assim não aparenta ser soberbo por ter esse poder.

Aos poucos ele resgatou um time que estava abandonado. um time que não ganhava um espanhol desde a temporada de 1995/1996. Desde aquele ano até a chegada de Simeone em 2011, o único título havia sido uma Europa League que muitos classificaram como zebra. Somente a torcida acreditava no Atlético.

Simeone descobriu no esforço quase que exaustivo que é possível através da dedicação impedir que o talento vença de forma natural. Ocupar os espaços e sufocar o adversário com uma marcação implacável dava ao mais fraco uma chance. E isso era tudo que ele precisava. Em 2013/2014 o Atlético saiu da fila no espanhol e depois teve a grande oportunidade. Ter a Europa nas mãos.

E ele teve. O Atlético foi campeão da Champions por 93 minutos. Mas a cabeça de Sérgio Ramos e o Real Madrid negaram a glória máxima ao Atleti. Na prorrogação veio o castigo e o 4 a 1 não refletiu o que foi a final em Lisboa. A devastação era quase total. Torcedores e jogadores aos prantos. O sonho destruído. Mas Simeone não é do tipo que desiste.

Na temporada seguinte o argentino recolheu os cacos, aprendeu com o erros e se ergueu novamente. Erguer novamente. Algo que o torcedor do Atlético de Madrid já está acostumado. Não é fácil ter um clube do tamanho do Real Madrid na mesma cidade, um Barcelona no mesmo país e ainda torcer para o Rojiblanco. 

A noite do dia 13 de maio ficará marcada como o dia em que o técnico Colchonero foi recompensado com uma segunda chance. Uma nova chance de se fazer história com um time humilde, mas que sabe da sua grandeza e que pensa além. Eu não duvido de Simeone e seus comandados. E se Real Madrid, Bayern e Manchester City duvidarem, o Vicente Calderón vai receber uma peça nova na galeria de troféus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário