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| Foto: Douglas Monteiro/ Vila Nova F. C. |
E nada mudou. As
pessoas mudaram, as atitudes mudaram, as referências mudaram, mas os interesses
continuam os mesmos. Quem pensou que novos tempos haviam chegado no Onésio
Brasileiro Alvarenga, está enganado. Ou melhor, foi enganado. Foi iludido por
um discurso de quem sabia da carência da torcida e do que a torcida queria
escutar. Funcionou, deu certo. Foram abraçados e ovacionados quando assumiram
em definitivo o comando da agremiação. Com um discurso de torcedor, trazendo
para o mandato nomes queridos de toda a torcida, os novos chefes conquistaram
uma aproximação há muito não vista pelos lados do Universitário. E olha que
esse clube sempre foi carregado pela torcida, desde sempre e para sempre será,
arrisco a dizer.
Mas como não se iludir?
Como não confiar em pessoas que bateram de frente veementemente com aquelas que
sangraram o time por uma década seguida? Como não se deslumbrar com um discurso
de quem se dizia da arquibancada? De quem sabia, ou dizia saber, de todo o
sofrimento que a imensa massa passou durante anos? A confiança era inevitável.
A vulnerabilidade, inerente a todo ser apaixonado, se agravou ainda mais após o
desastroso ano de 2014. Quem viu seu coração destroçado por duas situações
jamais imagináveis em vida, clamava por um salvador.
Oportunismo e carência.
Esses foram os principais ingredientes para que uma pseudo-revolução
acontecesse no Onésio. Pseudo porque, com o passar do tempo, o que se pensava
ser uma revolução, a devolução do Colorado para as mãos do povo, está se
revelando uma continuação das mesmas mazelas vividas na última década. As
máscaras, pouco a pouco, estão começando a cair. E quem vai pagar o pato (e a
conta), são os iludidos, os verdadeiros detentores deste clube, que, de tão
apaixonados e esperançosos, se deixaram levar por palavras bonitas.
Mas, se nada mudou no
alto escalão, nada mudou no coração de cada apaixonado. O maior motivo que faz
de um vilanovense, um vilanovense é o simples fato do existir. É somente a
certeza de que terá, para sempre, algo para amar, para se apegar, para venerar.
Ser vilanovense não é se gabar por ter muitos títulos ou por ser um dos maiores
clubes do centro-oeste. Ser vilanovense não é, tampouco, se inferiorizar a nada
e nem ninguém. Ser vilanovense é se orgulhar da história desse time. Ser
vilanovense é bater no peito e exibir o manto, independente do acontecido. Ser
vilanovense é transbordar amor. É cultivar devoção. Ser vilanovense é
simplesmente ser, não tem muita explicação. A paixão não é passível de
elucidações, muito menos de lógica. Apenas se sente.
E não pense você que
tudo são flores. Assim como em qualquer relação, há altos e baixos nesse eterno
casamento entre torcida e time. Há um velho ditado que diz que o amor e o ódio
andam juntos. Mas é justamente nesses momentos de ódio que o amor se fortalece,
que cada torcedor invoca em si mesmo o verdadeiro motivo de ter escolhido o
Colorado para amar. São nos baixos momentos que os sentimentos de amor e
pertencimento mais afloram, que cada torcedor percebe que o que o faz estar ali
sempre não é o campeonato, não são as vitórias, mas o simples fato daquele
clube existir. Ser vilanovense é olhar para trás e se orgulhar de seu passado,
viver o presente e ser parte de sua história e vislumbrar o futuro como algo
sempre melhor e mais apaixonado.
Tantas vezes iludidos
com a promessa de tempos melhores, tantas promessas não cumpridas, tantas
decepções acumuladas... Não com o time, senão com as pessoas. Arrependimento?
Talvez. Mas nenhum esforço é em vão na tentativa de manter vivo aquilo que se
ama, o Vila Nova. Se precisar de mil mais ilusões, mais mil vezes seremos
iludidos. Vila Nova é amor e o amor, meus amigos, ele cega.

